terça-feira, 24 de junho de 2008

Como pode ser???


Sinto que a cada dia que passa me torno mais inexperiente e menos conhecedora de mim mesma.
Como podemos ser tão ínfimos diante do desejo de se ter, de se querer. Ás vezes nos sufocamos e o que deveria ser alegria tornasse tristeza, dor, angústia, algo que quando não sabemos explicar nos reprime as palavras e os pensamentos, nos consome de uma maneira que ficamos tontos e bobos diante de nós mesmos.

Nunca podemos dizer nunca, é o que dizem, mas esse desejo, esses sentimentos nos transformam em patéticos seres que se afogam no nunca, no não ser...no querer estar e não poder.
Escutamos música que não queremos ouvir, tudo se torna perfeitamente infeliz. É doloroso se manter e estar feliz principalmente quando isso requer uma luta com seu interior. Para estar feliz omitimos nossa real felicidade e engolimos a seco o que queriamos estar gritando para o mundo, ou para o "nosso mundo".
Só precisa de uma abertura, um resquício de luz no tufão avassalador de formalidades e prisões sentimentais para que seja fácil e tudo aconteça, podemos seguir em frente sem se preocupar em transparecer uma imagem de força inexistente e que se torna translúcida nos mais incríveis momentos de libertação.

Estar, mesmo que não para sempre, entregue a mais linda dor do querer e poder, estar nu diante de tudo e se permitir existir e viver, estar são e insano, sóbrio e ébrio de euforia, erguer-se de si mesmo e perceber que o melhor que tem que se fazer é desarmar-se, encarar o que você é e pode ser, deixar para trás a armadura de desprezo pelas coisas ditas pequenas e encará-las como grandes desejos emergidos da alma.
Admirar-se como essa mão invisível lhe ergueu e lhe possuiu por inteiro, entregar-se ao nada que se torna tudo em si. O viajar da mente inerte e alerta que nunca irá chegar ao seu destino por causa de um bloqueio invisível que você finalmente rompeu, e mais uma vez ser pega de surpresa pelas suas sensações e carências e enfim não precisar mais se preocupar com a frase que sempre havia atormentado seus mais secretos pensamentos: - Como pode ser??

A resposta está em seguir, está em descobrir que Shakespeare não estava errado ao dizer que: "Não é digno de saborear o mel, aquele que se afasta da colméia com medo das picadelas das abelhas."

domingo, 8 de junho de 2008

Minha vida sem mim...


Vamos lá..agora depois de vomitar toda a minha tristeza vamos ao que interessa...afinal o propósito deste blog é tentar passar um pouco do que vivi não só para que meus amigos e conhecidos conheçam minha visão de mundo, mas também para eu poder ler este diário daqui a dez anos e morrer de rir com minha visão sempre infantil do que é a vida...e pra mim.. a vida:"É bonita e é bonita! Porque você tem que viver e não ter a vergonha de ser feliz, você tem que cantar, e cantar, e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz.....Ah, meu Deus! Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será, mas isso não impede que eu repita: - É bonita, é bonita e é bonita! E a vida? E a vida o que é, diga lá , meu irmão? Ela é a batida de um coração? Ela é uma doce ilusão?Mais e a vida? Ela é maravida ou é sofrimento? Ela é alegria ou lamento? O que é? O que é, meu irmão? Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo...É uma gota, é um tempo que nem dá um segundo...Há quem fale que é um divino mistério profundo....É o sopro do criador numa atitude repleta de amor...Você diz que é luta e prazer, ele diz que a vida é viver, ela diz que melhor é morrer, pois amada não é, e o verbo é sofrer...Somos nós que fazemos a vida, como der, ou puder, ou quiser. Sempre desejada, por mais que esteja errada...Ninguém quer a morte só saúde e sorte...E a pergunta roda, e a cabeça agita....Fico com a pureza das respostas das crianças..... É a vida! É bonita e é bonita!

"O mais incompreensível do mundo é que ele seja compreensível."


Nunca pensei que um dia fosse estar sentada à frente de um computador, tentando usá-lo como "descarga de sentimentos"... mas deixando os preconceitos de lado resolvi ouvir o conselho de uma grande pessoa, que ao ler um de meus textos disse que eu tinha que escrever um blog...
Apesar do que ele falou, não me interessei muito em fazê-lo até este exato momento, quando ao ver alguém que não via a muito tempo percebi o quão incompreensível é este mundo no qual vivemos... e mais incompreensível ainda é nossa mente humana e mundana.
Escrevo para tentar soltar o grito de horror e tristeza que se instalou em meu ser neste fim de tarde de domingo...não que eu não goste de domingos, pelo contrário, mas é que esse domingo vai marcar o resto dos fins de semana de minha, até agora, curta vida..da qual pretendo falar nas minhas próximas postagens, afinal tentarei ao máximo não seguir uma ordem cronológica sensata ao escrever este pequeno diário eletrônico..
Mas, enfim, o fato que me fez entristecer foi perceber o quão pequena é nossa vida diante da escassez de lucidez de um homem que teve tudo arrancado de si por um vício, o álcool...
Nem sei se realmente foi o álcool que fez essa pessoa se perder na imensidão de seus pensamentos, mas concerteza ele foi um coadjuvante de peso no filme da vida deste homem do qual não pretendo citar o nome...
Para iniciar a dissertação comecemos pelo início....Conheci essa pessoa aos onze anos, ele sempre foi um pouco desequilibrado porque vivia constantemente bêbado, mas até então uma pessoa "normal" (pus entre aspas porque não quero aqui entrar em discussões do que é normalidade, afinal nem eu as vezes sou normal)....Ele sempre foi carinhoso, mas como bebia, todos ao redor cultivavam uma certa intolerância por este ser...até que um dia nasceu dessa pessoa uma das criaturas mais lindas de minha vida, minha afilhada e ele acabou por ser inserido, meio a contra gosto, na nossa família...
Depois de muitos problemas e um curioso talento para o fracasso (fracasso este financeiro) a família foi se distanciando deste homem e a única pessoa que o via como um homem deixou de querer que este estivesse ao seu lado...
Minha afilhada foi crescendo e ele foi desaparecendo de nossas vidas...depois, alguns boatos de que ele já não era a mesma pessoa foram surgindo, mas como ninguém o via mais não nos preocupamos com os boatos...e assim se passaram quase 5 anos até eu o reencontrar..
Hoje quase não me contive ao vê-lo com a aparência de uma pessoa que já não tem total controle de suas faculdades mentais..um homem sujo, corcunda, manco e com voz embrulhada que falava sempre as mesmas frases sem sentindo e revivia nessas frases uma época de sua vida que parece não querer esquecer...Este homem, que foi cabo do exército, que tocava trombeta, que tem porte e olhos verdes, estava entregue ao que a vida tinha de pior, estava entregue a solidão dos pensamentos vãos de uma mente morta, ineficaz....
Nunca havia presenciado um episódio tão triste..nunca havia sentido tanta compaixão por alguém..ele nem ao menos me reconheceu...e se sentou ao meu lado..
O mais incrível é que apesar de ter passado por tudo o que passou jamais esqueceu a filha...jamais deixou de querer cuidar dela..e a frase que mais falou nos 10 minutos que pareciam duas horas foi: - PAPAI TE AMA MINHA FILHA, VOCÊ FOI A ÚNICA FILHA QUE EU QUIZ TER!!!