quinta-feira, 24 de julho de 2008

Apesar de tudo...


Hoje resolvi escrever sobre uma fase de minha vida que queria esquecer, mas como um raio em uma tempestade ela insiste em aparecer, assim, do nada, só para eu saber que ela está lá e talvez vá me acompanhar por toda a vida...

Muitos sempre acharam que eu era o modelo perfeito de alguém que tem e teve problemas e sempre os conseguiu superar facilmente, não sei se pelo fato de ser muito rebelde, não sei se pelo fato de me mostrar muito masculina (não no físico e sim no emocional) ou pelo fato de sempre tentar expor para as pessoas o lado bom que existe em mim (sem saber elas, bom agora vão saber, que eu fazia questão de dizer que era transparente só para todos acharem que me conheciam)...

Para falar a verdade poucas foram as pessoas que viram minha face e conviveram comigo nesta época... A época da maldita depressão...

E não era nada simples..acho que a minha foi e é um modelo de última linha, aquele que aparece nas horas mais confusas, tristes ou felizes.. Não importa como, nem quando, nem com quem esteja, ela simplesmente aparece.. A diferença é que agora sei, pelo menos acho que sei, controlá-la.

Na maior parte do tempo eu era brilhante, viva, maravilhosa, envolvente, amiga e com um senso de humor que aprendi a construir para aliviar as tensões impostas por essa vilã..

A maior crise de depressão que eu tive foi na verdade a última, não que a primeira (ocorrida durante a separação dos meus pais) não tenha sido forte e tivesse me apresentado o quão ruim é sentir o medo da vida (porque quando você tem medo de um bicho esse medo desaparece quando o animal vai embora, mas como você pode fazer o medo da vida desaparecer quando esta está sempre com você, em todo o momento, a cada pulsar do seu coração, a cada inspiração?)...

Na última vez em que me vi mergulhada no mar profundo da solidão eu já estava com meu ex-namorado (afinal ele foi um astro e tanto no espetáculo do circo dos horores que era a minha vida.. Sem ele talvez não tivesse conseguido emergir e respirar) e tinha acabado de terminar o 3º ano do colegial.. Me via sem rumo, sem ter o que fazer.. Com medo de crescer e enfrentar o mundo a minha frente...Ficava deprimida por tudo, deprimida por sorrir, deprimida por chorar, deprimida ao ver um magnífico pôr-do-sol...Vivia 24 horas do meu dia mergulhada na minha escuridão, mergulhada no sofrimento e achava aquilo muito poético, pois foram em momentos de solidão que os maiores poetas escreveram suas obras...

Eu vivia para chorar e me lamentar para mim mesma, dentro do quarto, diante do espelho, ao olhar o meu reflexo de menina bem nutrida e perceber o quanto eu era egoísta por estar bem enquanto tinham milhares de pessoas morrendo por não terem um terço do que eu tinha.. Me perguntava sempre, porque eu tenho??? Porque eu como e eles não??? Porque, se existe um Deus, ele não iguala a todos e não reage diante de tanta injustiça???

Esse foi meu erro, achar que a diferença era o mal, que todos tinhamos que ser iguais.. Que todos tinhamos que ter e passar pelas mesmas coisas... Era horrendo. Eu sentia como se estivesse envolvida pessoalmnte com cada foco de tristeza que há no mundo. Era como se eu tivesse uma rede mundial de dor na minha cabeça, uma rede maior que a internet, e cada átomo de pesar que já havia existido estivesse sendo capitalizado através de mim, antes de ser empacotado e enviado a diversas áreas, como se eu fosse a centralizadora da miséria humana.

Churchill chamava a própria depressão de "meu cão negro" e conseguia entender o porque, já que adoro cães, mas se vocês não conseguiram entender vou mostrar o meu ponto de vista sobre esse, digamos, apelido...

Quando se está em depressão você não acha que aquilo é a pior coisa do mundo..você quer senti-la por mais que ela doa, porque quanto mais dói mais você sabe que está vivo, quanto mais dói mais você tem certeza que seu sofrimento pelos outros não é em vão.. Você se torna quase um mártir... Quando Churchill chamou-a de cão negro entendi que por mais dolorosa que seja, ela nos afaga, ela é uma coisa boa porque você sabe que sente e fica feliz por isso...

Mas pode-se perguntar como consegue-se controlar isso... Não é simples e nem digo que foi de uma hora para outra.. Para falar a verdade ainda tenho resquícios desse sentimento e dessa doença impregnados em mim como se fosse parte da minha alma.. Não digo que não sou feliz.. Isso está fora dos meus planos.. O problema é que tenho que lembrar sempre de que sou feliz.. Lembrar que há um mundo lá fora horrível e que sofrer somente, talvez não ajude a mudar essa situação.. E talvez seja por isso que eu tenha escolhido fazer Relações Internacionais.. Porque pensei que conseguiria mudar o mundo... Doce ilusão de adolescente que quero levar comigo para o resto da vida, porque na verdade, depois de muito lutar, descobri que o que move o ser humando não é o seu sofrimento e pesar pelo outro e sim seus sonhos e esperanças.....

terça-feira, 22 de julho de 2008

Quem disse que ser adulto é fácil?


Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa: 'Ah, terminei o namoro...''Nossa, quanto tempo?'' Cinco anos...Mas não deu certo...acabou 'É não deu... 'Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.

Hoje , no alto dos meus 21 anos, não acredito muito q os 'opostos se atraem'.

Porque sempre uma parte vai ceder muito e se adaptar demais. E sempre esta é a parte mais insatisfeita (no caso fui eu). Acredito mais em quem tem interesses em comum. Se você adora dançar forró, melhor namorar quem também gosta, se você gosta de cultura italiana, melhor alguém que também goste. Freqüentar lugares que você gosta ajuda a encontrar pessoas com interesses parecidos com os teus.

A extrovertida e o caretão anti social é complicado e depois, entra naquela questão de um querer mudar o outro, ui... 'Pessoas mudam quando querem. E porque querem. E pronto. E demora!Aliás pele é fundamental. E tem gente que é mais sexual, outras que são mais tranqüilas. O garanhão insaciável e a donzela sensível, acho meio estranho. Isto causa muitas frustrações e vários livros de auto ajuda sobre sexo. Assim como outras coisas, cada um tem um perfil sexual. Cheiro, fantasias, beijo, manias, quanto mais sintonia, melhor.

Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro? E não temos esta coisa completa. As vezes ele é fiel, mas não é bom de cama. As vezes ele é carinhoso , mas não é fiel. As vezes ele é atencioso , mas não é trabalhador. As vezes ele é malhado, mas não é sensível. Tudo nós não temos.

Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele. Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona... Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate...se joga...senão bate...mais uma Vodca, por favor... e vá dar uma volta.

Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença, felizmente eu não sou assim. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos. Mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem , gravidez, dinheiro, pressão de família? O legal é alguém que está com você e por você. E vice versa. Não fique com alguém por dó também. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento. Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?

Gostar dói. Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.

Na vida e no amor, não temos garantias. E nem todo sexo bom é para namorar. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar. Enfim...quem disse que ser adulto é fácil?

domingo, 6 de julho de 2008

A Voz Do Silêncio - Pior do que a voz que cala, é um silêncio que fala...


Simples, rápido! E quanta força!
I
mediatamente me veio à cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis, pois você sabe,
o silêncio não é dado a amenidades. Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca. Silêncios que falam sobre desinteresse, esquecimento, recusas.
Q
uantas coisas são ditas na quietude, depois de uma discussão. O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada para acabar com o clima de tensão.
S
ó ele permanece imutável, o silêncio, a ante-sala do fim.
É
mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras
que são ditas indicam uma tentativa de entendimento.
C
ordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas queixas, jogam limpo. Já o silêncio arquiteta
planos que não são compartilhados. Quando nada é dito, nada fica combinado.
Quantas vezes, numa discussão histérica, ouvimos um dos dois gritar: "Diz alguma coisa, mas não fica aí parado me olhando!"
É
o silêncio de um, mandando más notícias para o desespero do outro.
É
claro que há muitas situações em que o silêncio é bem-vindo. Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo. Para a professora de uma creche, o silêncio é um presente. Para os seguranças de um show de
rock, o silêncio é um sonho.
M
esmo no amor, quando a relação é sólida e madura, o silêncio a dois não incomoda, pois é o silêncio da paz.
O
único silêncio que perturba, é aquele que fala. E fala alto.
É
quando ninguém bate à nossa porta, não há emails na caixa de entrada não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem. "Marta Medeiros"

Lindo esse texto.
Não costumo plagiar, mas como me identifiquei muito com esse texto resolvi postá-lo.
Juro que o próximo será de minha autoria..hehehe!!!