quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Sumário: Apologia de Sócrates.


Em sua essência inicia seu discurso desculpando-se por seu linguajar rebuscado, afinal, nunca havia discursado em um tribunal até aquele momento. Desculpa-se, também, por discursar como se estivesse em um de seus habituais locais, a praça.
Em seguida, procurando distinguir a gravidade das palavras proferidas por aqueles que o acusam e também, indicando o grau de responsabilidade dos antigos e novos acusadores, afirma que deverá defender-se dos acusadores mais antigos, pois estes fizeram-se ouvir por mais tempo, tendo, com isso, mais força de persuasão.
Acusado de se dizer sábio e não ser e de caluniar àqueles que se diziam sábios sem serem, acabou por destrinchar toda a história que o levou ao tribunal e nesta conta que ao ouvir o Oráculo de Delfos teve a confirmação de sua sabedoria e mesmo assim não a quis aceitar, pois não sabia se o verdadeiro significado daquelas revelações era o proferido ao pé da letra.
Portanto, resolveu tomar como um desafio à sua sabedoria as palavras que escutou e para confirmar tudo o que havia ouvido procurou políticos (aos quais ele preferiu não citar os nomes) que se diziam sábios e começou a questionar sua sabedoria, sendo este o seu principal e mais grave erro, maior até do que condenam àqueles que cobravam para passar seus conhecimentos aos jovens atenienses ávidos por sabedoria. Nesta busca ele percebeu que se não fosse verdadeiramente sábio, era pelo menos mais sábio do que aqueles que se diziam ser, justamente por não se considerar como tal.
Após muito pesquisar chegou a conclusão de que era mais sábio que o político pesquisado, pois ele e o político poderiam não saber nada sobre o bom nem o belo, mas como este acreditava e não sabia e Sócrates, ao contrário, como não sabia, também não julgava saber, teve a impressão de que, ao menos numa pequena coisa era mais sábio que o político, ou seja, porque não sabia e não acreditava saber.
Para despedir-se do tribunal, depois de ouvir sua sentença, Sócrates propôs aos que votaram em seu favor uma discussão em cima de seu caso e ainda soube encerrar com maestria discursando da seguinte forma: “Em verdade este meu caso arrisca ser um bem, e estamos longe de julgar retamente, quando pensamos que a morte é um mal...Porque morrer é uma ou outra destas duas coisas: ou o morto não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do que quer que seja ou, como se diz, a morte é precisamente uma mudança de existência e, para a alma, uma migração deste lugar para um outro...Se, de fato, não há sensação alguma, mas é como um sono, a morte seria um maravilhoso presente”.

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